quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

fim

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O tempo mudou muito, não é? É sempre assim, quando se aproxima o Natal, começa a esfriar, a chover e as pessoas ficam melancólicas. Mas o espírito de Natal faz com que tudo isso passe em brancas nuvens, em todos os lares se preparam os doces, os enfeites, as músicas...

Viu como a cidade está bonita? Toda iluminada! Isso não te deixa feliz? É nessa época que as pessoas fazem as pazes, perdoam-se mutuamente, fazem novos planos para o ano vindouro, andam com os pensamentos voltados para a renovação. É muito bonito isso, você não acha?

A Constância está curtindo frutas, ela disse que você gosta muito de  frutas curtidas e que no Natal passado vocês fizeram juntos sete frutas curtidas, você fez alguma este ano? É ruim fazer as coisas só pra gente não é? Quando eu vivia sozinho, achava péssimo o Natal e o fim de ano.

Por quê você não passa o Natal lá em casa? Poderíamos convidar alguns amigos seus e de Constância, porque os meus amigos não passam o Natal aqui! Aí poderíamos fazer uma brincadeira de amigo oculto, assim ninguém ficaria sem presente, o que você acha?

Ora Jeremias, estou tentando ser seu amigo, estou tentando te conhecer melhor, por quê você não fala comigo? A Constância gostaria que fôssemos amigos e eu não me oponho, sempre achei você um cara formidável, um pouco convencido, mas mesmo assim uma pessoa amigável.

Quando eu conheci vocês, eu sempre dizia: “como são parecidos” ou “ aí está um cara de sorte”. Eu via como a Constância se parecia com você e sinceramente eu não sabia de quem eu mais gostava, só sabia que queria ser amigo de vocês. Por quê você viajou em Janeiro Jeremias? Por quê deixou Constância sozinha? Eu fiquei com pena, minhas visitas  se tornaram freqüentes, aí, aconteceu!!!

Mas eu não me arrependo Jeremias. Eu desejei Constância mais do que qualquer coisa no mundo, sei que foi você o maior amor da vida dela, mas hoje quem ela ama sou eu. Ouviu Jeremias? Sou eu quem ela ama! Ouviu seu surdo, sou eu que tenho me sentar com ela à mesa na hora das refeições, sou eu que tenho massagear os pés dela todas as noites antes de dormir, sou eu que tenho vestir estas roupas ridículas, porque é assim que você gosta. Seu filho da puta, sou eu que tenho ver seu nome escrito em todos os lugares, sou eu que tenho aturar violetas por todo o canto da casa, que tenho pintar todos os dias para que a Constância me deseje.  Seu depravado, mascarado, viado, sou eu que tenho aguentar os dedos de Constância no meu cu, porque ela disse que era assim que você gozava, sou eu que tenho ser você a todo momento.

Seu sacana, por que você me faz passar por tudo isso? Por que tenho agentar tudo isso? Oh, Jeremias, você é mesmo assim? Como eu te odeio, por que você não sai de nossa vida?

Eu estou enlouquecendo Jeremias, já nem sei do que gosto, a única coisa que sei é que tenho de me parecer com você.
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Agora, uma coisa aprendi a gostar de verdade, é quando nos lambuzamos de doce e fazemos amor. Adoro a Constância espalhando um doce em meu corpo e depois o retirando com a língua.  Ela disse que foi você quem a ensinou, mas eu não acho! Tem muito dela nessa história. Você também gostava não é Jeremias? É uma pena que você a perdeu não é? Você a perdeu e eu a tenho, e tenho de ser você o tempo todo!!!

Já nem sei se sou eu ou se sou você.

Jeremias, tem uma cor que você não classificou e que eu estou usando muito ultimamente, sabe qual é? O cinza, eu acho que é a cor do crime, do ódio, do assassinato....o que você acha?

Agora vou me calar, você quer falar alguma coisa?
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Por quê você não vai lá em casa Jeremias?
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Por quê você não morre Jeremias?


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